quinta-feira, 6 de junho de 2013

A ROSA

     A ROSA

Era o domingo do dia das mães.
Como de costume, depois da missa, as crianças dirigidas por suas catequistas, subiram ao altar carregando rosas vermelhas nas mãos.
Cantaram uma música alusiva à data.
Houve um pequeno discurso meio atropelado, lido por uma menina ofegante.
Apresentou-se um jogral, como sempre, um pequeno grupo de crianças dizendo frases bonitas em que se ouvia indistintamente as palavras: mãe - homenagem - carinho - amor - felicidade - parabéns.
Eu sempre me questiono: “porque não ensaiam um grande grupo de crianças que falem umas cinco de cada vez, pausadamente, para poder se entender o que dizem”?
É sempre a mesma coisa. Mas as mães e seus filhos se dão por satisfeitos com o cerimonial singelo.
As mães presentes são então chamadas ao altar pera receber uma rosa, como sinal de amor e agradecimento. É tudo muito emocionante.
Eu estava no banco da igreja ao lado de uma mulher que eu não conhecia.
Levantei-me e fui receber a minha rosa.
Voltei ao meu lugar e falei a essa mulher: “Você não vai buscar a sua rosa?”
“Fui casada. Sou viúva e nunca tive filhos.” Havia um traço de tristeza na sua voz.
Então eu lhe respondi: “Você deve ter alguém na família ou nas amizades, que ama como a um filho ou filha e é amada como mãe por essa pessoa.”
Ela retrucou: “Sim. Tenho um sobrinho que é como um filho para mim, e que me quer como a sua mãe.”
“Então vai lá buscar a sua rosa”.
Ela se levantou, pegou a sua rosa e voltou sorridente para o seu lugar.
Terminou a cerimônia. Saí da igreja me despedindo dessa mãe feliz.

Não perguntei o seu nome e nunca mais a vi. Mas me senti satisfeita por ter proporcionado um momento tão especial para uma pessoa desconhecida e carente de afeto.

Esta foi uma rica experiência que vivenciei num domingo - Dia das Mães - e que coloco aqui, numa homenagem às "mães do coração".
São aquelas que não tiveram filhos seus, nem os adotaram, mas sentiram e receberam o amor de Mãe, de alguém muito especial nas suas vidas. Dia das Mães - maio/2103.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Mãos diferentes


                                   MÃOS DIFERENTES

                       
                        Muitas palavras podemos dizer sobre as mãos.
                        Há mãos que afagam e que machucam.
                        Mãos que doam e mãos que tiram.

                        Há as sedosas e as calosas.
                        As bem cuidadas
                        e as maltratadas pelo trabalho ou pelo tempo.
                        As escorregadias que percebemos
                       como que de pessoas falsas.
                        As suadas, que para nós
                       são desconfortáveis se as tocamos.

                        Mãos de um idoso que o filho fotografou,
                        refletindo que, na infância, teve muito  medo delas
                        e que agora são inofensivas.
                        Mãos do tetraplégico,
                        que nos acanhamos em tocar,
                        porque não podem corresponder ao nosso toque.

                        Mãos que ignoram a mão estendida
                        para o cumprimento,
                        ou que somos obrigados,
                        pela circunstância,
                        a tocar contra nossa vontade.

                        Mãos frias ou quentes,
                        transmitindo expressões humanas
                       que só nós podemos sentir ou descrever.

                        As benditas mãos do cirurgião
                       que um dia pedi a Deus que as abençoasse,
                       num agradecimento pessoal
                       e que o médico à minha frente,
                       olhou para as suas próprias mãos,
                       como se nunca tivesse pensado nessa bênção.
                       E esse gesto jamais esqueci!



                        Nazareth Peres
                       


                        Texto proposto na Oficina: Laboratório de Escrita e Poéticas: A Hora do Conto.
                        SESC Belenzinho   -  maio/2011

                        João Anzanello Carrascozza

Oração da maçaneta - de Gióia Júnior

Não há mais bela música
que o ruído da maçaneta da porta
quando meu filho volta para casa.

Volta da rua, da vasta noite,
da madrugada de estranhas vozes,
e o ruído da maçaneta
e o gemer do trinco,
o bater da porta que novamente se fecha.
o tilintar inconfundível do molho de chaves
são um doce acalanto,
uma suave cantiga de ninar.

Só assim fecho os olhos,
posso afinal, dormir e descansar.

Oh! a longa espera,
a negra ausência,
as histórias de acidentes e assaltos
que só a noite, como ninguém, sabe contar!

Oh! os presságios e os pesadelos,
o eco dos passos nas calçadas,
a voz dos bêbados na rua
e o longo apito do guarda
medindo a madrugada,
e os cães uivando na distância
e o grito lancinante da ambulância!

E o coração descompassado a pressentir
e a martelar
na arritmia do relógio do meu quarto
esquadrinhando a noite e seus mistérios.

Nisso, na sala que se cala, estala
a gargalhada jovem
da maçaneta que canta
a festiva cantiga do retorno.
E sua voz engole a noite imensa
com todos os ruídos secundários.
-Oh! os címbalos do trinco
e os clarins da porta que se escancara
e os guizos das muitas chaves que se abraçam
e o festival dos passos que ganham a escada!

Nem as vozes da orquestra
e o tilintar de copos
e a mansa canção da chuva no telhado
podem sequer se comparar
ao som da maçaneta que sorri
quando meu filho volta.

Que ele retorne sempre são e salvo,
marinheiro depois da tempestade
a sorrir a a cantar.
E que na porta a maçaneta cante
a festiva canção do seu retorno
que soa para mim
como suave cantiga de ninar.

Só assim, só assim meu coração se aquieta,
posso afinal, dormir e descansar!



sábado, 20 de abril de 2013

Invitation au Voyage

"Se cada um de vós, ó vós outros da televisão
- vós que viajais inertes
como defuntos num caixão-
se cada um de vós abrisse um livro de poemas...
faria uma verdadeira viagem...
Num livro de poemas se descobre de tudo, de tudo mesmo!
- Inclusive o amor e outras novidades".

Mário Quintana

"Quintana de Bolso" - L&PM POCKET - 2012
 página 91





sexta-feira, 8 de março de 2013

Site de Poesias: "PARA VOCÊ MULHER (FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER)" (Tiago Lino da Silva)

Site de Poesias: "PARA VOCÊ MULHER (FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER)" (Tiago Lino da Silva) Para você mulher, que tanto suporta,
Para você mulher, que tanto se importa,
Para você mulher, que não nega ajuda...
Para você mulher, que acolhe aqueles que batem à sua porta.

Ser mulher é ser uma classe que não se intimida
Ser mulher é vencer as dificuldades da vida...
Nos caminhos repouso, passos errantes, tão longos distantes,
Vejo a presença, sinto a falta, “mulher” ser amado que faz a diferença.

Hey! Mulher, não fuja, seja forte...
Mulher! eis o único ser que com o dom da vida vence a morte.
Mulher, tu possuis uma força paradoxal,
Que pode ser mortal, mas que rompe o tempo da vida.

Mulher, sinônimo de vibração constante,
Põe nos eixos os homens mais “errantes”,
E tira do caminho os “encaminhados”.
Eterna busca pela liberdade,
Tem o poder de inventar caminhos.
Traz os derradeiros carinhos expostos no peito.
Ser mulher é uma bênção...
É casa de amor no jardim da beleza,
È uma flor, tão terna e cheia de pureza,
Mulher, és a árvore da vida,
O fruto da perfeição...
Agradeço a DEUS  poder escrever estas palavras, no dia internacional da Mulher.

Site de Poesias: "PARA VOCÊ MULHER (FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER)" (Tiago Lino da Silva)

Site de Poesias: "PARA VOCÊ MULHER (FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER)" (Tiago Lino da Silva)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Oficina Minha Memória


              APRESENTAÇÃO   -   MINHA MEMÓRIA ESCRITA E ILUSTRADA


Estou apresentando o colega Francisco Arlindo Alves.
Ele tem 39 anos, mora no Parque do Carmo, em São Paulo.
É designer e trabalha no SESC Belenzinho.
Em 09/08/2011.
Meu nome é Nazareth Peres



 ORIGEM:

(palavras chave):

nascimento - sítio - batizado - pais - padrinhos - avós - tios - primos - viagem -  cidade

Nasci em Itaboraí -  em 1938, no RJ. Era um vilarejo chamado Venda das Pedras, perto do sítio Mutuapira.
Esse sítio era dos meus tios  que foram tutores da minha mãe.
Não conheci nenhum dos meus quatro avós. Eles morreram antes dos meus pais se
casarem.
Aos três meses fui batizada na igrejinha da vila.
Meus padrinhos foram um casal de irmãos, Maria e José. Ele eram amigos da minha mãe. O padrinho, vi um só vez. E a madrinha, nunca vi.
Meus pais resolveram vir para São Paulo logo após o meu batizado. Só voltei à minha cidade aos 25 anos. Lá ficaram tios e primos que só de vez em quando nos visitavam.
Meus irmãos nasceram em São Paulo: Uma irmã, dois anos mais nova que eu e o irmão, quando eu tinha 16 anos.


Sítio Mutuapira da Tia Lúcia e tio Eugênio, perto de Venda das Pedras - Itaboraí - RJ,onde eu nasci em 1938. Nos morros, o laranjal dos tios, seu sustento, sua riqueza.
.

Casa da Tia Lúcia e Tio Eugênio no sítio Mutuapira - perto de Venda Das Pedras -
Itaboraí - RJ.  Na placa em cima da janela está escrito: ”LAR DE LÚCIA - 1941”
A casa continua a mesma. Nela moram uma das primas e seu filho.


MAPA de Itaboraí - RJ - retirado do site:http://www.cidades.com.br/cidade/itaborai/003212.html

Localização de Itaboraí no mapa do Estado do Rio de Janeiro.
O nome indígena Itaborai, significa: PEDRA BONITA ESCONDIDA NA ÁGUA.
Fundação da cidade: 1696.
Data comemorativa da cidade: 22 de maio.
Emancipação:  há 178 anos.
Itaboraiense ilustre: JOAQUIM MANUEL DE MACEDO  escritor do romance: “A MORENINHA”.
O padroeiro da cidade é São João Batista.
Itaboraí produz cerâmica, entre outras indústrias.
Meu avô materno Francisco com seu irmão Joaquim, tinha uma olaria no início do século XX.
Eles produziam telhas e tijolos e vasos ornamentais.
Itaboraí também foi a terra da laranja. Meus tios Lúcia e Eugênio viveram da plantação no enorme laranjal em Mutuapira.

A cidade de Itaboraí - RJ, no ano de 2011, está muito diferente da que era no ano em que nasci.
Há muitos prédios na zona urbana e na zona rural, muitos sítios foram loteados e se tornaram bairros.
Em Itaboraí está sendo implantado o Complexo Petroquímico.



CAUSOS  E TRAVESSURAS

Quando éramos crianças, morávamos na Vila Formosa (1945). Era um loteamento novo.
Íamos com meu pai, buscar varetas dos arbustos ao redor, para cercar nosso terreno que tinha 12m por 50m.
A cerca era com arame farpado e nela eram amarrados com cipós, as varetas. Uma cerca muito diferente.
Em 1949 foi inaugurado o cemitério da Vila Formosa. Enquanto era construído, íamos brincar de escorregador, nos enormes montes de terra que as máquinas de terraplanagem formavam.
Era emocionante, despencar lá do alto! Ficávamos imundas de terra vermelha. Mas era tão bom! Parecia uma montanha russa.


Minha irmã Nazarina aos três anos e eu, aos cinco anos.
Uma pose bem estudada num estúdio fotográfico. Que chique!



BRINCADEIRAS

            Brincávamos nos quintais, de casinha com as bonecas. Na rua, brincávamos de roda e de pular corda. Eu gostava de brincar de escolinha, em que eu era sempre a professora, porque era a mais velha da turma.


Na brincadeira de pular corda, fazíamos o  “SALADA, SALADINHA”:
            Uma criança pulava, enquanto duas “batiam” a corda. O grupo ficava esperando sua vez, e cantava:
“Salada, saladinha,
bem temperadinha.
Vinagre, azeite e sal”.

Depois se começa a contagem de 1 - 2 - 3 - 4- …..até 100, ou até a criança errar ou cansar.
Na contagem, a batida da corda é acelerada.
Quando a criança erra, sai da corda, dando vez a outra.

Na brincadeira SOZINHA, a criança pula ela mesmo batendo a corda e não tem tempo para terminar. É uma brincadeira isolada. (O desenho fiz no paint brush com a ajuda do Gustavo).
            Em 2010, comecei inspirada e fiz para os meus netos uns versos falando das minhas brincadeiras:

                                  
                                             BRINCADEIRAS
          I                                                                           II

Velho balanço da infância,                                        Pular a corda e rodar,
Singelo e simples brinquedo.                                    Nas brincadeiras de rua.
Quanta alegria me deste                                          Adultos a conversar,
À sombra do arvoredo.                                             Por vezes, à luz da lua.



                 III                                                                             IV

À vizinhança, juntar-se,                                             Brincadeiras inocentes,
As crianças vão brincando.                                       Que não mais se reconhecem,
Das tradições, relembrar-se,                                     Hoje não estão presentes,
E o tempo vai passando...                                         E nunca mais acontecem!

                                              
                                           FESTAS INFANTÍS

                  I                                                                               II

Batizados de bonecas,                                               Às bonecas dar um nome,
Ó que linda tradição!                                                 Escolhido com carinho,
Juntar-se aos amiguinhos,                                          Na festa aplacar a fome,
Para a celebração.                                                     Com um gostoso bolinho.

       III

A limonada e os doces,
Mães vão providenciar,
E alegres, essas crianças,
Passam a tarde a brincar!                                      
           


Como não tenho uma foto boa, minha com boneca, coloco aqui essa foto do Natal de 1969:
Minha mãe Diva, minhas filhas Terezinha e Ana Lúcia, meu sobrinho Edson e meu filho Henrique e os brinquedos que eles ganharam nesse dia. Não são lindos, todos eles?


CANTIGAS DE RODA INFANTIL - CIRANDAS.

As cantigas de roda brasileiras, têm origem europeia e se tornaram folclóricas, de autoria anônima, e constantemente modificadas. São chamadas também de cirandas.

CAPELINHA DE MELÂO
Capelinha de melão
É de São João.
é de cravo, é de rosa,
É de manjericão.

São João está dormindo,
Não acorde não!
Acordai, acordai,
Acordai, João!


A CANOA VIROU
A canoa virou,
Por deixá-la virar.
Foi por causa de fulana,
Que não soube remar.

Se eu fosse um peixinho
E soubesse nadar,
Eu tirava a fulana
Do fundo do mar.

Siriri prá cá,
Siriri prá lá
Fulana é bela
E quer quer casar.


COMIDAS E RECEITAS

                                   GALINHA AO MOLHO PARDO

Na minha infância as comidas eram caseiras de verdade:
Arroz, feijão, legumes, verduras. As carnes, na maioria das vezes eram de frangos, galinhas, ou galo. Minha mãe criava as aves no quintal e depois as abatia para nosso consumo.
           
Para abater as aves, podemos considerar hoje em dia, o método era, talvez, cruel. A galinha escolhida, era presa pelas asas e os pés, nos pés da minha mãe que estava sentada num banquinho baixo.
           
Ela depenava o pescoço da ave, segurando sua cabeça. Então era cortado o pescoço da galinha. O sangue que jorrava era recolhido numa xícara com vinagre para não coagular. Depois de morta, a galinha era depenada em água fervente. Totalmente limpa e cortada em pedaços, era cozida. O sangue era misturado na panela, depois do cozimento.

Esta é a receita da GALINHA AO MOLHO PARDO.

A galinha  fica de cor marrom pelo sangue que é colocado e um tempo cozido junto.
É uma delícia!
Só que hoje em dia, ninguém mais mata galinha assim e recolhe seu sangue para fazer esse prato saboroso.

SOBREMESAS

BANANA COZIDA
           
Duas bananas nanicas muito bem lavadas. Elas não podem estar totalmente maduras.
Devem ter os cabos inteiros. Não pode ser despencada.
São colocadas numa panela, com água que as cobre totalmente.
Cozinha-se nessa água por uns minutos, até as cascas se romperem.
Escorre-se a água, colocam-se as bananas descascadas num prato.
Amassar com um garfo, colocar açúcar e canela em pó e comer ainda quente.
Essa receita dá para fazer e é muito boa mesmo!

Hum!!!
DITOS POPULARES

Os ditos populares nos ensinam a sabedoria popular que vem  se passando, oralmente, para as gerações mais novas:

“Quem com ferro fere, com ferro será ferido”: Se você atinge uma pessoa e a prejudica, da mesma forma, será atingido.

“Olho por olho,  dente por dente”: Esse é muito antigo. Já nos Evangelhos, Jesus ensinou que os antigos falavam assim, mas Ele determinou que façamos o bem a qume nos faz o mal.

“Formiga quando quer se perder, cria asa”: Se você se arrisca onde não deve, vai ter dificuldades e se sairá mal, com certeza.

“Anda com os bons e serás um deles”: Você deve escolher sempre a boas companhias, para não errar.




MÚSICAS DO RÁDIO OUVIDAS NA INFÂNCIA


            AVE MARIA NO MORRO
            De Herivelto Martins - gravação de Dalva de Oliviera - 1942

Barracão de zinco sem telhado,
Sem pintura, lá no morro.
Barracão é bangalô.
Lá não existe felicidade de arranhacéu,
Pois quem mora lá no morro
Já vive pertinho do céu.

Tem alvorada, tem passarada
Ao alvorecer.
Sinfonia de pardais,
Anunciando o anoitecer.

E o morro inteiro, no fim do dia,
Reza uma prece: Ave Maria!

Minha mãe tinha a voz linda e gostava de cantar essa música. Depois eu cantei muito, também






 NORMALISTA

 de Benedito Lacerda e David Nasser
Gravação de Nelson Gonçalves - 1949

Vestida de azul e branco
Trazendo o sorriso franco,
No rostinho encantador.
Minha linda normalista,
Rapidamente conquista,
Meu coração sem amor.

Eu que trazia fechado
Dentro do peito guardado,
Um coração sofredor.
Estou bastante inclinado
A entregá-lo ao cuidado
Daquele brotinho em flor.

Mas a normalista linda,
Não pode casar ainda.
Só depois de se formar.
Eu estou apaixonado
O pai da moça é zangado,
E o remédio é esperar.



Eu me formei normalista em 1959 e essa musica ainda fazia sucesso.
Minha mãe e minha irmã, cantavam para brincar comigo, que esperei a formatura para me casar em 25/01/1960 com o Ramon, o primeiro namorado.
A normalista era a que se formava professora primária. Dava aulas de 1ª a 4ª séries, para os alunos entre sete e onze anos.



Oficina Internet Belenzinho com Francisco Arlindo Alves e João Cotrim em 2011.
"Oficina Minha Memória Escrita e Ilustrada"






quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

MARÍA DEL CARMEN



MARÍA DEL CARMEN

Nasci na Espanha em 1902. Cheguei ao Brasil em 1913, com meus pais e mais quatro irmãos. Eu era a terceira filha.
A viagem no navio “Provence” que procedia do porto de Gibraltar, consumiu muitos dias.
Vínhamos com famílias também espanholas, todas com expectativas de trabalho, sucesso e sonhos de breve regresso.
Na Espanha a situação estava difícil para nós, simples camponeses.
Terras cansadas, poucos resultados, pobreza.
Começou a circular entre parentes, amigos e vizinhos que no Brasil estavam precisando de mão de obra para as lavouras do café.
Havia compensações para a imigração: passagens pagas para toda a família, trabalho garantido e moradia nas fazendas de São Paulo.
Meus pais se animaram. Juntamos alguns bens, roupas, documentos, fotografias e com outros conhecidos e parentes, nos aventuramos nessa nova vida. A maioria de nós jamais regressaria.
Eu, uma menina de dez anos, estranhava tudo durante a viagem. As acomodações eram acanhadas, a alimentação diferente.
A proximidade com tantos passageiros e o grande número de crianças de todas as idades, nos perturbavam.
Chegamos afinal ao Porto de Santos.
O desembarque foi tumultuado, com cuidados para a família não se desgarrar e os pertences não serem perdidos.
Embarcamos num trem para subir lentamente a serra até a Capital.
Chegamos à Hospedaria dos Imigrantes, onde ficamos por uma semana.
Os homens eram alojados separadamente das mulheres, que ficavam com os filhos menores.
Um breve descanso. Algum tratamento médico e higiene pessoal, no aguardo do enviado do patrão para nos conduzir de caminhão, por um dia inteiro de viagem pelas estradas poeirentas.
Chegamos à fazenda determinada, desde as tratativas da imigração, ainda na Espanha.
Meus olhos de menina viram tantas novidades que me causaram admiração.
As acomodações a nós destinadas eram simples, mas os patrões moravam numa grande e bela casa.
Conhecemos os negros e mulatos que nunca tínhamos visto nas nossas aldeias.
Eles circulavam pela fazenda exercendo seu ofício no cafezal. Alguns deles e suas famílias, se tornaram nossos amigos um tempo depois.
Os espanhóis e italianos se espalhavam em enormes espaços.
Em poucos dias iniciou-se o duro trabalho de sol a sol nos arruamentos do café, a colheita dos grãos vermelhos, a secagem no pátio, o ensacamento e colocação nos transportes para longe, tão longe, que eu não poderia imaginar onde pudesse ser.
Os filhos mais velhos foram para a roça com o pai. Os menores ficaram com a mãe, sempre atarefada com a casa, a comida, as roupas, a criação de aves e porcos, a vaquinha para o leite, o pomar e a horta.
Os imigrantes se agrupavam segundo sua procedência: espanhóis de um lado, italianos de outro. Cada grupo falando seu próprio idioma e mantendo suas tradições e costumes.
Pouco se falava a língua portuguesa, a não ser o necessário para a comunicação com os brasileiros.
Não havia escolas para os filhos dos imigrantes. Mas à noite, meu pai e outros na sua condição, ensinavam aos filhos os rudimentos da leitura e escrita em português, mais as operações fundamentais da matemática.
Eles sabiam que devíamos nos integrar na cultura da nova terra.
Então, eu me apoderei da minha própria história.
Filha diligente, ajudava a minha mãe em tudo, aprendendo a cozinhar, fazer o pão, usar as
receitas espanholas possíveis, costurar, lavar roupas e outros afazeres, bem como cuidar dos irmãos menores.
Raramente se ia à cidade. Era o pai quem saía para fazer compras, às vezes acompanhado por um dos filhos mais velhos.
Era uma vida reclusa, ao redor do núcleo familiar.
Só de vez em quando nos reuníamos com outros grupos para alguns festejos.
Os jovens imigrantes iam se casando entre si, com os da própria nacionalidade.
Aos vinte anos conheci o Antônio, espanhol, como eu.
Já havia uma aproximação das famílias e o namoro foi desde o início, um compromisso de casamento.
Nessa altura, o café estava em declínio em sua produção. As grandes fazendas foram divididas em sítios colocados à venda.
Os rapazes imigrantes da segunda geração, juntavam aos poucos seu dinheiro e compravam os sítios, tornando-se proprietários.
Antônio, meu futuro marido, associou-se a um dos seus irmãos na aquisição da primeira propriedade.
Assim, quando nos casamos, tínhamos nossa terra.
Meus sogros foram morar conosco. A vida e o relacionamento eram difíceis, principalmente entre sogra e nora.
Mais adiante, eu contava aos meus filhos maiores essa parte da minha história.
A sogra era a dona da casa. Ela levava o almoço do filho na roça, me impedindo de fazê-lo.
Para ele, dizia que eu não queria ir.
De intriga em intriga, sofri muito.
Tive dez filhos. Uma das gestações foi gemelar, mas só o menino sobreviveu.
Mais ou menos a cada dois anos, um novo filho. Era só desmamar e engravidar outra vez.
Dos dez filhos, criamos sete. Exceto a gêmea que resistiu poucos dias, os outros dois, faleceram na primeira infância.
Conforme o costume dos espanhóis, os nomes iam se repetindo em homenagem aos avós e tios: Isabel, Antônio, Francisco, Ramon, Pedro, Maria. O caçula teve um nome diferente – João.
Os padrinhos de todos eles, também segundo um costume, foram o cunhado sócio e sua mulher.
Na questão dos nomes e sobrenomes, os escreventes do registro civil anotavam o que entendiam e como ouviam o que era declarado. Assim os nomes estrangeiros sofreram modificações e sua grafia foi se aportuguesando.
Por isso, de Maria del Carmen, me transformei simplesmente em Carmen.
Meu marido e eu tivemos os sobrenomes também transformados, que assim foram passados para os descendentes.
Os filhos mais velhos ficaram com os sobrenomes mantidos na grafia original e os demais, na segunda.
E isso ocorreu da mesma forma, com os outros imigrantes das várias nacionalidades.
A sociedade dos irmãos se desfez e cada um ficou com seu próprio sítio, o que era um progresso.
Minha vida se resumia ao trabalho da casa, crianças, família. Minha saúde começou a se deteriorar.
Meus pais e sogros haviam falecido. Nossos irmãos se espalharam pelo interior e quase não nos visitávamos.
Nossos filhos mais velhos começaram a ajudar o pai no cafezal, como na geração anterior.
E a crise do café se aprofundava.
Como os pais da primeira geração o fizeram, Antônio alfabetizava os filhos à noite e lhes ensinava a matemática essencial.
Não havia escola para os nossos filhos.
Minha filha mais nova teve aos dois anos, um sério problema pulmonar e passou por delicada cirurgia.
Minha fé em Santa Luzia, ajudou na recuperação.
Por isso, no dia treze de dezembro de cada ano, eu cumpria a minha promessa de rezar um terço em casa com familiares e amigos. Era um dia de festa.
A vida ficava cada vez mais pesada e eu definhando.
Decidimos, como outros sitiantes, vender a propriedade e sair do interior.
Alguns foram cultivar o café no Paraná.
Nós fomos para para uma cidade próxima a São Paulo, onde teríamos ajuda de outros parentes ali instalados e melhor assistência médica para mim.
Qual era a minha doença? Estresse, cansaço, depressão, hipertensão? Não se falava claramente qual era o problema.
Fui piorando, e aos cinquenta anos, fui embora, deixando inconsoláveis o marido e os filhos, o mais novo com dez anos.
Os descendentes e agregados que se uniram a nós pelo casamento, se apropriaram da minha história, e nos transformamos numa grande família festeira.
Vi somente a filha mais velha casada. Os demais filhos foram se colocando na vida, se casando, tendo seus próprios filhos. Não conheci netos, bisnetos, nem o trineto.
Os casamentos se tornaram cada vez mais mistos, com descendentes de italianos, portugueses, alemães, eslavos. Uma bela mistura que resultou em gente muito bonita.
Alguns da nossa família pesquisaram as histórias, os ascendentes e construíram uma rica árvore genealógica.
Descobriu-se, através de processo de requisição da nacionalidade espanhola de um dos nossos, os nomes dos quatro avós de Antônio e Carmen, chegando-se à identificação de sete gerações.
E como em qualquer história de família, o fim não existe.
Nossos descendentes estão aí, se multiplicando, procurando manter a amizade e a proximidade, juntando-se nas alegres festas, mais de sessenta pessoas.
A vida segue seu caminho.
Alguns a seu tempo já partiram ou partirão, mas muitos outros estão chegando ou por chegar.



Texto da minha autoria publicado à página 75 doVolume XXI-
O CONTO BRASILEIRO HOJE - RG Editores - 2012.
Refere-se à história da minha sogra Carmen Martins Martins, conforme relatos dos seus filhos, pois eu não a conheci. Ela era Martínez Martínez porque  seus pais tinham o mesmo sobrenome.
Só quando buscamos as certidões de desembarque dos imigrantes espanhóis - os pais dos meu sogros, é que descobrimos a alteração dos nomes: Martínez - ficou Martins. Dos Perez, alguns ficaram Peres e María del Carmen, ficou simplesmente: Carmen.








































segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O Pai


     O PAI


Oswaldo era o nome do meu pai e ele era uma pessoa generosa. Sua generosidade foi para mim, a melhor das lições de vida.
Procurava atender a toda família: seus filhos, seus netos e as duas bisnetas que ele conheceu. Estava sempre atento para ajudar, dentro das suas possibilidades, aos seus amigos e quem mais dele precisasse.
Socorria aos pobres em visitas, no trabalho voluntário que realizava na Sociedade de São Vicente de Paulo, na chamada “Conferência”. Era o nome dos grupos de vicentinos, em que se homenageavam os santos conhecidos: São Francisco Xavier, Beato Frederido Ozanan, o fundador dessa sociedade. Ele era vicentino com muito orgulho. São Vicente de Paulo é um santo de 1660, portanto completando mais de 350 anos, um santo que viveu para os pobres.
Na casa humilde do meu pai, havia sempre algo guardado, esperando para ser distribuído a quem necessitasse. Arrecadava com amigos e familiares, principalmente roupas e móveis que tinham então, um destino certo.
Era também, um exemplo de constância ao trabalho duro, sem esmorecer jamais.
Tinha uma disponibilidade perseverante para ajudar nos pequenos serviços ou consertos, às pessoas que a ele recorressem.
Sua fé era operante. Rezava com a família à noite, cantando conosco hinos religiosos que marcaram a minha infância.
Minha mãe e ele nos habituaram a lhes tomar a bênção, beijando suas mãos, quando saíamos ou chegávamos.
À noite, antes de dormir falávamos, já na cama: “A bênção, mãe! A bênção, pai!” Ao que eles nos respondiam com a fórmula usual para cada uma de nós duas irmãs, suas filhas: “Deus a abençoe!”.
Meu pai gostava de cantar, feliz, os sucessos do rádio dos anos 40 e 50. Não era tão afinado, mas nos dava prazer ouvi-lo.
Comprava jornais regularmente que me abriram o caminho e o gosto para a leitura. Tinha pouca escolaridade, mas muita sabedoria. Nesses jornais, conheci Nelson Rodrigues e as suas histórias de: “A Vida Como Ela É”. Talvez uma leitura não indicada para uma menina.
Meu pai era ágil. Andava depressa, mesmo com sua leve dificuldade de locomoção, que o identificava de longe, mancando, quando vinha para casa.
Era também, um tanto irreverente. Quando contrariado, recorria às palavras não tão “politicamente corretas”.
Era um hábito familiar da sua infância para expressar descontentamento. Mas não nos escandalizava. Não era para agredir. Era um desabafo.
Tinha sempre uma “frase feita” não publicável. Aliás, era uma coleção de frases engraçadas, perfeitas, que definiam exatamente as situações que o aborreciam.
Algumas falas eram repetidas em ocasiões apropriadas. Se falava de alguém que tinha feito algo errado, completava: “Deus que não me chame por testemunha!”
Se ouvia uma música no rádio e eram citados mais de dois compositores, dizia: “Tanta gente para fazer isso?”
Quando a nossa mãe recitava poesias ou cantava músicas ufanistas e patrióticas, ele nos repetia uns versos de “pés quebrados”, assim classificados por ele e não sabemos se eram mesmo da sua autoria: “Lá vem a lua saindo,/ redonda como um tamanco./ Me fizeram a cama curta,/ e eu dormi com o pé de fora.”
Nas longas conversas com os vizinhos nas noites quentes e enluaradas, em que podíamos ficar nos quintais, havia sempre alguém para contar histórias de assombrações, fantasmas, almas do outro mundo. Meu pai quebrava o clima concluindo: “Nunca se vê fantasmas ao meio dia na praça da Sé. Por que será?”
Ao se aborrecer com alguém, falava entre dentes, para si próprio: “Desculpa, por eu ter te aturado tanto tempo.”
Se alguns de nós perdêssemos algo ou uma oportunidade ele repetia sabiamente: “Deus tem mais para dar, do que já deu”, reavivando a confiança.
Nós éramos crianças, mas o observávamos atentamente.
Seus rompimentos de paradigmas, talvez tenham nos despertado para o espírito crítico, de não aceitar os fatos e ditos como eram apresentados. Mas só nos apercebemos disso muitos anos depois.
Sobre a família do meu pai tivemos poucas informações. Há dois anos conseguimos uma cópia de inteiro teor de sua certidão de nascimento, através do cartório postal.
Era “filho natural”, como se registrava no início do século XX e só nesta altura das nossas vidas, soubemos desse fato. Seus pais, eram solteiros conforme o descrito no documento. Ele contava pouca coisa de sua família e jamais quis retornar à sua cidade de origem, nem a passeio. Soubemos por sua certidão de nascimento os nomes dos nossos quatro bisavós paternos.
Da sua parte, tivemos dois tios: o Pedro e a Oswaldina. E somente a ela conhecemos, numa visita que nos fez, trazida nos anos 50, por dois dos seus filhos – o Mário e o Francisco, os únicos primos da parte paterna que nos visitaram.
Meu pai contava que nosso avô paterno era protestante, como se dizia então, e não “crente” ou “evangélico” como se diz atualmente.
Vinda da sua família, tínhamos em casa uma Bíblia protestante, na tradução até hoje conhecida de João Ferreira de Almeida.
Meu pai cantava um cântico religioso que nos ensinou e que também cantávamos:
“Tu, cujo amor em cânticos,/ Celebram sem cessar,/ O mundo dos espíritos, O céu, a terra, o mar./ Senhor, acolhe as súplicas,/ Dos pobres filhos teus./ Ilustra-nos, melhora-nos,/ Ampara-nos, ó Deus./ Nas trevas da ignorância,/ Não medra o santo amor,/ Ilustra-nos, melhora-nos,/ Senhor, Senhor, Senhor!”
Oswaldo e Diva, meus pais, casaram-se só no civil em 1938 em Itaboraí - RJ.
Contavam que na época do seu casamento não havia padre na capela do lugarejo.
Mais tarde, quando minha mãe insistia em se casar no religioso, ele falava: “Casa
sozinha!”
Foi difícil ser convencido a atender a minha mãe. Ela rezava muito, suplicava nas novenas, pedia ajuda às pessoas amigas, até que conseguiu com que ele se aproximasse da igreja.
Afinal o casamento religioso na Igreja Católica aconteceu em 1951 em São Paulo - SP.
Minha irmã e eu assistimos a esse casamento. Foi uma cerimônia simples à noite, depois das funções religiosas de costume, quando a igreja já estava praticamente vazia. Só estávamos nós, mais os seus padrinhos, que eram amigos de longa data e os filhos deles. Belas lembranças!
Desde então, meu pai começou a frequentar a igreja e a realizar seu trabalho de assistência aos pobres da Sociedade de São Vicente de Paulo.
Oswaldo, meu pai era uma pessoa que gostava de demonstrar apreço aos que o cercavam.
Eu já adulta, era elogiada: “Minha filha é ‘um-pé-de-boi’ para o trabalho!” E este foi o maior elogio que recebi na vida, porque veio dele, meu modelo.
Ele não está mais fisicamente conosco. Em 2010 completaria 100 anos. Faleceu aos 79 em 1989.
Teve uma rica história de vida que procuramos resgatar e registrar para o conhecimento dos seus descendentes. Uma bonita história real.
Rendo aqui, homenagem à pessoa generosa e correta que ele foi, um exemplo para os filhos, netos e mesmos os bisnetos que não o conheceram, ou que não se lembram mais dele, e todas as demais pessoas que com ele conviveram.
Em sua homenagem, deixo aqui esse registro.


Publicado no Volume XX:  "O Conto Brasileiro Hoje" - RG Editores - 2012 -
página 77.
Texto da minha autoria.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

OS POEMAS


Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

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Mário Quintana - página 106 - De "Quintana de Bolso"
L&PM POCKET -Reimpressão de 2012.
Ganhei este livro, hoje, de pessoa amiga, pelo meu
aniversário em 24/10.

Amo Mário Quintana! 
"Um livro fechado é um livro morto"
(desconheço autoria da citação)

ERA UMA VEZ...

Um bairro em formação,
Numa cidade importante
E eram os anos quarenta.
Luz nas casas, lampião
E lá fora a escuridão.
As ruas de terra nua.
A água do poço usada,
A muito custo puxada!

A vida não era fácil.
Mas, bela vegetação
Cortava os córregos límpidos.
E a menina gostava
De brincar no seu quintal
Com amiguinhas e irmã.
De casinha e de escolinha.
Na rua ir pular corda
E jogar amarelinha.

Ir à escola. uma aventura!
Andava-se longo tempo
Pelas trilhas ladeadas
De flores e de frutinhas.
Tudo era bem singelo:
Respirar a aragem pura,
E os cheiros bons que exalavam
Do campo fértil ao redor.

Irmã, menina e amiguinhas
Com seus uniformes pobres
Iam a outro bairro além
Pra escola que ali havia.
Paravam a meio caminho
Pra se juntar a outra amiga.

Esta era loura e linda
De uniforme impecável.
E a menina não sentia
O menor ressentimento,
E nem sequer percebia
Sua pobreza palpável.

Os dias de escoavam
E os anos se acumulavam.
A menina virou gente
E o bairro mui diferente.
Cresceram ambos, e a vida
Modificou-se também.

Hoje a menina saudosa,
Se lembra dos bons momentos.

E o bairro sempre formoso,
Chama-se VILA FORMOSA,
Na cidade de São Paulo.
E permanece, grandioso,
Dentro dos seus pensamentos
E no coração que diz:
Era uma vez...
Um tempo muito feliz!


Poesia de minha autoria  de 2005 - Postada em 21/11/2012
Para relembrar a infância na Vila Formosa dos anos 40.

Nazareth Lemos Maldonado Peres  (Facebook)
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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Aqui

Aqui
Nesta pedra
Alguém sentou
Olhando o mar

O mar
Não parou
Pra ser olhado

Foi mar
Pra tudo quanto é lado  



Paulo Leminsky
Coleção Melhores Poemas - Global Editora - página 44

domingo, 14 de outubro de 2012

Hino a Nossa Senhora de Nazaré

Vós sois o lírio mimoso 
Do mais suave perfume
Que ao lado do santo esposo 
A castidade resume.

Ó Virgem mãe amorosa
Fonte de amor e de fé
Dai-nos a bênção, bondosa
Senhora de Nazaré.

De vossos olhos o pranto
É como a gota de orvalho
Que dá beleza e encanto
À flor pendente do galho.

Se em vossos lábios divinos
Um doce riso desponta
Nos esplendores dos hinos
Nossa alma aos céus se levanta.

Vós sois a flor da inocência
Que nossa vida embalsama
Com suavíssima essência
Que sobre nós se derrama.

Quando na vida sofremos
A mais atroz amargura
De vossas mãos recebemos
A confortável doçura.

Vós sois a ridente aurora
De divinais esplendores
Que a luz da fé revigora
Nas almas dos pecadores.

Sede bendita, Senhora
Farol da eterna bonança
Nos altos céus onde mora
A luz da nossa esperança.

E lá da celeste altura
Do vosso trono de luz
Dai-nos a paz e ventura
Por vosso amado Jesus.

A letra deste hino é de Euclydes Faria, poeta maranhense, nascido em 14 de março de 1837. Foi cantado pela primeira vez em 24 de outubro de 1909 no lançamento da pedra fundamental da Basílica de Nazaré - Belém do Pará.
A partir deste momento, nunca mais foi esquecido.

2º domingo de outubro: Festa do Círio de Nazaré


Círio de Nazaré - CD 12023-5 - Paulinas /Comep